segunda-feira, 5 de março de 2012

Primeiras impressões

Esse tempo que estive aqui no alojamento sem internet no meu computador, fui escrevendo os posts para não esquecer das coisas. Vou postando a medida que for possível. Esse não foi o primeiro que escrevi, mas é o primeiro que vou postar. É um post mais pessoal, mais de impressões do que de fatos. Nesse exato momento faz 75 horas que cheguei em Clermont. Na verdade, esse é o primeiro ponto; não estou em Clermont-Ferrand propriamente dita, mas em Aubière, cidade vizinha de 20 mil habitantes, onde fica a universidade. Ela faz parte da grande Clermont (se é que posso chamar assim), que tem 400 mil habitantes (somando todas essa cidadezinhas). É mais um bairro que uma cidade, pois não dá pra saber onde acaba uma e onde começa a outra. É servida pelos mesmos transportes, inclusive pelo tramway, mas dele eu falo em outro post.



Meu alojamento fica a uns 300 metros da química. O campus não é delimitado, não tem cercas. Tem uma parada de tram bem aqui pertinho, uns 300 metros também. A paisagem perto do Campus é bem selvagem rsrsrsrs. Ainda mais agora no inverno, que está tudo seco. Aliás, o clima aqui anda o mais seco que já vi. Muito mais que Araraquara. O nariz arde que é uma beleza!




Tem um supermercado enoooorme a um pouco mais de 1 quilômetro, o E. Leclerc. Para o outro lado, também mais ou menos a essa distância, está o centro de Aubière, onde acontece a feira no domingo. É uma parte beem antiga, cheia de ruinhas estreitas e muito simpáticas.






O centro de Clermont fica a uns 3-4 km, e de tram chega-se em mais ou menos uns 15 minutos. Fiquei impressionada com a quantidade de comércio que tem lá e com a quantidade de gente nas ruas no sábado à tarde. Muito movimento nas ruas, nas lojas e nos cafés. Minha amiga que foi para República Tcheca me disse que o povo lá não é muito consumista, mas aqui já pude perceber que são. E a variedade de produtos, desde comidas a roupas e comésticos. Nem dá pra comprar nada de tanta coisa que tem!!!!  Todo esse movimento no sábado, mas no domingo... a cidade para... tudo fechado! Até o shopping!!! Supermercados também fecham cedo!





Tive uma impressão muito boa dos franceses até agora. Começando pelo nosso professor, que foi nos buscar no aeroporto, nos trouxe no alojamento, veio até no quarto com a gente, depois nos levou no lab nos apresentou para todos e ainda nos chamou para irmos com eles tomar cerveja no bar da universidade (eles vão toda quinta). No dia seguinte levou a gente no correio e ainda deu uma de guia, explicando algumas coisas sobre as pedras que construíram algumas casas e sobre as adegas de vinhos de antigamente (coisas essas que entendemos apenas uns 20%. Rsrsrsrsrs) Aliás, o francês vai indo bem, mas cansa viu! Quando chegamos ninguém sabia que a gente falava francês, pensaram que teriam que falar com a gente em inglês. Para eles foi uma surpresa boa. E disseram que a gente fala bem. Mas.... a gente só entende se eles falarem diretamente com a gente, sem correr demais ou usar muitas gírias! Quando falam entre eles na maioria do tempo é um Deus nos acuda! Não dá pra entender quase nada! Rsrsrsrs Por enquanto, toda manhã quando a gente ouve uma voz no corredor dá uma preguiiiça de começar tudo de novo. Mas, enfim, só estamos aqui há 3 dias! O resto do pessoal do lab também nos recebeu bem. Chamaram a gente para almoçar na sexta e já nos chamaram para sair na próxima quarta.




Engraçado, tinha a impressão de que os franceses seriam muito sérios e formais, mas não tem nada disso... Eles são gente como nós. Riem, sorriem, os adolescentes e crianças fazem barulho, os outros são mais silenciosos... E realmente, como eu já tinha lido em algum lugar bufam bastante. Qualquer coisinha dão uma bufada e dizem merde e dizem putain... Mas em todo lugar são extremamente educados, dizem bonjour o tempo todo, e obrigada e por favor e sorriem. Ah claro, não é um simples bonjour, mas um “bonjour, Madame”...Assim dá até pra achar que sou chique!!!!!

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Preparativos da viagem: seguro saúde


       O próximo passo depois de comprar as passagens é fazer o seguro saúde. Não dá pra fazer antes porque é necessário ter a data exata de partida e retorno ao Brasil, pra não ficar nenhum dia sem cobertura. Em geral, é melhor fazer o seguro numa agência de viagem. Eu fiz assim, apesar do pessoal da agência que fui ser meio enrolado... Acho que não costumam fazer seguro dessa seguradora e ficaram meio confusos!
       Um seguro de meses e mais meses na Europa não sai lá muuuito barato, mas pra quem está indo com bolsa PDSE da Capes isso é um problema a menos. Como já disse nesse post, a Capes dá um auxílio de 70 euros para cada mês de bolsa. Tudo pago de uma vez só, na implementação da bolsa. Não precisa devolver a diferença, caso seu plano seja de valor menor que o auxílio. Porém... caso sua faculdade no exterior ofereça um plano e você não tenha que fazer aqui, tem que devolver o valor total.
       Eu fiz o seguro Student Euro Assist da GTA. Dei uma pesquisada na internet e esse foi o mais em conta que achei. Para 161 dias ficou em 490 dólares. Lembrando que na Europa a cobertura deve ser de, no mínimo, 30 mil euros. Bom... acho que é isso!

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Preparativos da viagem: comprando as passagens

       Minha viagem parece que se tornou real de verdade quando comprei as passagens. Depois de meses olhando os preços, pra saber em quanto ficaria mais ou menos e na esperança de conseguir uma boa promoção, comprei as passagens de ida e volta com 1 mês e meio de antecedência. Acabei optando por comprar passagens da Air France, pois além de oferecer voo direto pra França (acho que só Air France e Tam têm voos direto para a França, mas NÃO tenho certeza), essa é a empresa que faz Paris-Clermont. Andei conversando com pessoas que já foram pra fora (inclusive uma amiga que foi para Clermont-Ferrand) e achei essa a melhor opção. Poderia ter optado por ir por outra companhia até Paris e de lá pegar o trem para Clermont-Ferrand, mas, além de não saber se compensaria financeiramente, a logística seria muito mais complicada. Assim, saio de Guarulhos em 11 horas estou em Paris. Lá faço uma conexão de 3 horas e voo para Clermont, saindo do mesmo aeroporto. Tinha a opção de uma conexão de 1h15 mas fiquei com medo do tempo ser apertado e, além disso, essa minha amiga me disse que fatalmente minhas malas não chegariam comigo em Clermont, pois o aeroporto de Paris é muito grande e não há tempo suficiente de trocar as malas de avião.
       Bom, como eu disse, comprei direto pelo site. Cheguei a fazer a cotação por agência, mas aumentaria em 100 dólares o valor. O site da Air France permite pagamento com cartão (parcela em até 5 vezes se incluir um trecho Rio-Paris ou São Paulo-Paris) ou depósito bancário no Itaú. Paguei com depósito direto no caixa e mandei o comprovante pra eles e foi tudo certo. Minha passagem, já com as taxas, ficou em R$2807.
       Uma opção que o site permite é comprar passagens para múltiplos destinos, ou seja, você pode sair de um lugar e voltar pra outro. Essa pode ser uma boa opção, pois pode ser que você encontre preços melhores. Pra mim foi bom. Saio de Guarulhos, mas volto para o Rio. Uma diferença de R$400 na volta.
       Por enquanto estou satisfeita com a Air France. Logo que mandei o comprovante me mandaram o e-mail com o bilhete eletrônico e alguns dias depois me mandaram um outro e-mail com várias informações sobre o voo e os serviços oferecidos, como por exemplo, a programação da TV no avião! rsrsrsrs

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Preparativos da viagem: vacinas


      Semana passada, depois de muita insistência da minha mãe, fui tomar vacina de sarampo. Ela não é exigida para entrar no país. Na verdade, eles não exigem nenhuma vacina de brasileiros (em alguns lugares exigem a de febre amarela), mas como na Europa, no ano passado, houve um surto de sarampo e o principal foco foi a França, achei melhor não estragar minha viagem pegando sarampo. Na minha cidade ela é oferecida gratuitamente nos postos de saúde, mas não sei se é assim no Brasil todo. Eles aplicam a tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola).
      Continuando nesse assunto de vacinas, uma amiga que passou 1 ano na França me disse que eles pediram pra ver o cartão de vacinas dela quando ela se apresentou no OFII para legalizar seu visto. Eu dei uma pesquisada e me parece que não é obrigatório levar o cartão, mas quem tiver e, principalmente, quem tiver o cartão COMPLETO (o que não é o meu caso, pois a cada vacina ganho um cartão novo, pois nunca sei onde deixei os outros) pode levar.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Músicas em francês - relembrando os tempos de escola

     Uma boa forma de aprender francês é ouvindo músicas. Esse post é especial para os meus colegas de francês do João XXIII. Acho que todos vão se lembrar de pelo menos alguma dessas músicas nas aulas da Venise!

Les cornichons - Nino Ferrer


Visa pour les beaux jours - Céline Dion

Ziggy - Céline Dion

Et si tu n'existais pas - Joe Dassin

Tu es foutu - In Grid

Comme d'habitude - Claude François

Le temps des cathédrales

     

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Contrastes climáticos!!!

     Em Clermont... (-13 graus)

      Em Araraquara...

     Tô ficando com medo de pegar uma gripe quando chegar lá... Minha mãe sempre me disse: "Menina, não toma banho quente e sai na friagem que você fica doente!".

Para aprender francês na internet

       Site cheio de exercícios de vocabulário, interpretação, gramática, escuta..... Bem legal!


segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Bolsa PDSE - Implementação

       O próximo passo depois da aprovação da bolsa é sua implementação. Logo depois que a Capes aprova sua bolsa, ela manda o comprovante de bolsa na língua do país de destino (ou em inglês) e mais uns outros papéis por correio. Alguns são instruções e tem também um termo de compromisso, que deve ser assinado e devolvido pra eles por correio. Com esse papel na mão, é hora de dar entrada no visto. O processo de visto de estudante bolsista na França já foi descrito aqui no blog.
       Para a implementação da bolsa, é preciso ter o visto em mãos. Todos os documentos que eles pedem devem ser anexados no seu processo eletrônico no site da Capes. É preciso de:

I. Termo de Compromisso, devidamente assinado. Uma via deverá ser enviada por correio e a outra digitalizada por meio do processo eletrônico do candidato;
II. Termo de Aprovação e de Responsabilidade pela Candidatura ao PDSE, preenchido e assinado pelo orientador brasileiro, em formulário específico;
III. Carta do coorientador estrangeiro, devidamente assinada e em papel timbrado da instituição de origem, aprovando o plano de pesquisa, informando o período do estágio e atestando que o aluno possui a proficiência necessária na língua estrangeira para se comunicar e desenvolver os trabalhos previstos;
IV. Termo de Seleção de Candidatura do PDSE, assinado por todos os membros da Comissão de seleção;
V. Caso tenha vínculo empregatício, o candidato deverá apresentar autorização para o afastamento do País publicada no Diário Oficial da União, do Estado ou do Município, quando se tratar de servidor público, ou
autorização do dirigente máximo da instituição, quando não for servidor público, pelo período efetivo da bolsa, explicitando na redação o ônus para a CAPES;
VI. Cópia do visto para o país de destino ou confirmação da aprovação pela representação consular;
VII. Dados bancários no País, preenchido no link ”Formulários Online”, para o depósito do auxílio deslocamento, instalação e seguro saúde;
VIII. Comprovante da conta bancária emitido pelo próprio banco, que poderá ser o cabeçalho do extrato bancário sem débitos e créditos pessoais ou declaração do banco.

       No nosso caso estamos dispensados de apresentar o número 5. 
       Eu mandei a cópia do visto, pois estava com tempo de sobra. Mas dizem que apenas o papel que o consulado entrega no dia da entrada do pedido é suficiente. Não tenho certeza.
       Fiquei toda preocupada com o comprovante da conta. Fui ao banco e pedi uma declaração e a songa monga me disse que não podia me dar. Arrisquei só o cabeçalho do extrato tirado no caixa eletrônico e deu certo. Tinha meu nome, número da agência e conta, nome do banco, data e hora. O resto eu cortei, porque a Capes não precisa saber das minhas dívidas!

       Mandei tudo isso uns dias antes do Natal e pensei que eles iam custar a me retornar, mas não! Para minha surpresa, no dia 26/12 o auxílio deslocamento + moradia + seguro saúde estava na minha conta. Aliás, a cotação própria da Capes do dólar e do euro foi melhor que a comercial! :)

Para aprender o francês que não está nos livros


      Livrinho muito legal que acabei de comprar para aprender o francês que não se aprende na escola. Cheio de expressões, cheio de francês do dia-a-dia e também cheio de bobagens... Aquelas palavras feias e sujas que nunca temos coragem de perguntar ao professor!

A descrição do livro é essa:
À Donf! é um dicionário divertido com o qual você aprenderá palavras e expressões da língua francesa falada que são muito interessantes e úteis no dia a dia.Estão inclusos termos que não aparecem nem nos dicionários convencionais nem nos livros didáticos, porque são considerados tabus, politicamente incorretos, ou, simplesmente porque são criações muito recentes.


Se você se interessou, compre aqui.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Michelin e a história de Clermont-Ferrand

       Depois de uma pausa (longa!) volto com a história de Clermont-Ferrand. O desenvolvimento da cidade do século XIX até hoje está intimamente ligado à fábrica de pneus Michelin. Em 1832, os primos Aristide Barbier e Nicolas Edouard Daubrée abrem uma pequena fábrica de máquinas agrícolas e bombas. Ao ver sua mulher usando borracha vulcanizada para fazer bolas infantis, Aristide logo percebe o potencial do material para a indústria e passa a utilizá-la na fabricação de juntas, correias, válvulas e tubos. Em 28 de maio de 1889, a empresa começa a fabricar apenas pastilhas de freio e passa a se chamar “Société Michelin e Cie.”. Edouard e André Michelin assumem o negócio fundado por seu avô, Aristide, e seu primo Nicolas. Já na década de 1890 a Michelin começa a fabricar pneus para bicicletas, carruagens e automóveis. Hoje, a companhia é uma das líderes mundiais na fabricação e comercialização de pneus, com presença comercial em mais de 170 países, além de 70 unidades de produção, três centros de tecnologia e três unidades de beneficiamento de borracha.
       Com o crescimento da Michelin, a população da cidade passou de 52 000 em 1900 a 82 000 em 1921. Bairros foram construídos para atender a este crescimento. Suas ruas, ao invés de nomes de personagens célebres ou de lugares, ganharam nomes de qualidades ou virtudes, como a Rue de la Bonté (rua da bondade) e a Rue de la Foi (rua da fé), um reflexo dos valores defendidos pela família Michelin na época. Acompanhando esse crescimento foram fundadas escolas, clínicas, igreja e cooperativas onde as pessoas faziam compras.
       A Michelin chegou a empregar 30000 trabalhadores em Clermont-Ferrand em 1970. Apesar deste número ter caído para cerca de 14000 empregados, a empresa continua sendo a que mais emprega na cidade. Em segundo lugar estão os hospitais públicos, com 7000 empregos e, em terceiro, o ensino superior, empregando 4000 pessoas.